quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Safra das azeitonas começará este mês de fevereiro


                    Luiz Eduardo Batalha na colheita de 2015, na Guarda Velha
                                Arquivo JN

Os plantadores de oliveiras do Rio Grande do Sul – mais de 70 em 30 municípios – preparam-se para iniciar a colheita da safra 2016, cuja expectativa é muito boa, com frutos de alta qualidade, apesar do excesso de chuvas em alguns momentos da primavera passada. Na maior área plantada, a Fazenda Guarda Velha, em Pinheiro Machado, com mais de 400 hectares de olivais, a colheita das azeitonas de mesa começará dia 15 de fevereiro e as destinadas a azeite, dia 25. O proprietário, Luiz Eduardo Batalha, encontra-se nos Estados Unidos, onde, dia 8 de fevereiro, representará o Brasil no Dia de Azeite Extra Virgen de Oliva do guia Flos Oleil 2016, em Nova Iorque, mas virá para o período da colheita, quando receberá visitantes de todo o País, da Argentina e do Uruguai, para os quais oferecerá degustações, almoços e jantares organizados pelo Instituto de Gastronomia de Flores da Cunha, preparados pelo chefe Mauro Cingolani. Também estão sendo esperadas visitas do governador José Ivo Sartori (PMDB) e do secretário da Agricultura, Ernani Polo. Os números não são bem claros, mas acredita-se que a área plantada já ultrapasse 1.500 hectares que produzem 350 toneladas de azeitonas e 45 mil litros de azeite/ano.
O Rio Grande do Sul está disposto a apostar fortemente nas oliveiras, nas azeitonas e nos azeites. Contribuir na geração de conhecimento e validações de tecnologias, visando a um manejo sustentável dos olivais. Essa é a ideia de pesquisadores da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), que apresentaram,  quinta-feira, dia 21 de janeiro, propostas de projetos de pesquisa para representantes da cadeia de olivicultura gaúcha. “O cultivo da oliveira no Rio Grande do Sul: estratégias de desenvolvimento da cultura num ambiente sustentável” foi abordado pelos pesquisadores Andréia Rotta de Oliveira, Caio Efrom, Flávio Varone, Larissa Abrosini, Lia Rodrigues, Sidia Witter e Vera Wolff. “Queremos desenvolver pesquisas que interessem a vocês, produtores, que supram suas necessidades”, afirmou o diretor técnico Carlos Oliveira. Ele destacou que o trabalho conta com o apoio da Emater/RS-Ascar, da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi) e da Embrapa, esta uma pioneira, pois, em sua estação experimental de Pelotas, desenvolveu vários projetos para seleção de oliveiras adaptadas ao clima e ao solo gaúchos. Eu mesmo estive lá, várias vezes, acompanhando o início dos projetos, liderado pelo Enilton Fick Coutinho, um dos autores do Zoneamento Edafoclimático da Olivicultura para o Rio Grande do Sul.
Agora, a Fepagro montou um projeto com quatro eixos: zoneamento agroclimático, cadeia produtiva, avaliação de cultivares, e controle de pragas e doenças. No primeiro eixo, está sendo feita a caracterização climática das regiões de cultivo sob o ponto de vista do zoneamento agroclimático; no segundo, um diagnóstico dos agentes e da cadeia produtiva do azeite de oliva gaúcho; no terceiro, ocorrem estudos fenológicos e da biologia reprodutiva, e sobre a qualidade de mudas: micropropagação e estabelecimento de coleções das principais variedades; no quarto, é abordada a biodiversidade de insetos associados e suas funções: potenciais pragas, inimigos naturais e controle, além da identificação de espécies de Colletotrichum associadas à antracnose  e estratégias de controle. 
O coordenador da Câmara Setorial da Citricultura e Olivicultura da Seapi, Paulo Lipp, disse ser uma satisfação ver a Fepagro interagindo diretamente com as câmaras setoriais. “É muito importante essa integração entre pesquisadores, assistência técnica e produtores”. O produtor de Piratini, Alcyr Soares Cardoso, deu os parabéns pela iniciativa. “A gente espera do Estado esse amparo”, pontuou. Estiveram presentes também o coordenador das Câmaras Setoriais e Temáticas da Seapi, Rodrigro Rizzo; e representantes da Emater/RS-Ascar, Seapi e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
A demanda sobre os olivais surgiu por ocasião da estruturação do Programa Estadual de Desenvolvimento da Olivicultura (Pró-Oliva), que prevê ações em quatro frentes: defesa sanitária e mudas de qualidade, pesquisa e assistência técnica, industrialização de azeites e conservas, e crédito para implantação de olivais. O programa, que tem apoio da Emater, Mapa, Embrapa e prefeituras, visa à expansão e consolidação da olivicultura no Estado.  
As propostas de pesquisas apresentadas pela Fepagro serão as seguintes: instalação de estações meteorológicas em pomares comerciais para monitoramento das condições de cultivo - custos e viabilização; caracterização da cadeia produtiva; coleção de cultivares in vitro; biologia reprodutiva de olea europaea; polinização; biodiversidade de insetos nos olivais; controle de cochonilhas; identificação de espécies de colletotrichum.

Um comentário:

Patricia Galasini disse...

Parabéns a todos os produtores pioneiros do RS, muita qualidade e empenho no Projeto de Oliveiras. Fantástico Azeite Nacional.