sábado, 23 de novembro de 2013

Uma nova campanha 2 - Vinhos brasileiros ampliam participação no mercado interno



Carlos Raymundo Paviani, diretor do Ibravin
Arquivo JN

 Na entrevista coletiva de quinta-feira, dia 21, que contou com a presença do secretário da Agricultura, Luiz Mainardi, o Ibravin garantiu que houve aumento da participação dos vinhos brasileiros no mercado interno. Favorecido por fatores como a aproximação com varejistas e distribuidores, ações de promoção, reconhecimento do consumidor e câmbio, o setor registra crescimento de 10,7%, com destaque para os rótulos finos, que tiveram crescimento de 6,9%.
Apresentando crescimento de 10,7%, o setor vitivinícola comemora o desempenho de vendas acumulado no período de janeiro a outubro, frente ao mesmo período do ano passado. Entre os destaques, o vinho fino registou alta de 7,08%, com a comercialização de 16,8 milhões de litros. Os espumantes, por sua vez, ampliaram em 6,65%, com 10,3 milhões de litros, e os vinhos de mesa, 3,55%, com 187,7 milhões de litros.
Os dados foram apresentadosna manhã de quinta-feira. Estavam presentes o titular da pasta, Luiz Fernando Mainardi, o secretario adjunto Claudio Fioreze, o coordenador das Câmaras Setoriais da Agricultura do Estado, Milton Bernardes, e o diretor executivo do Ibravin, Carlos R. Paviani. O presidente Alceu Dalle Molle não apareceu. Enquanto que, em outubro de 2012, a participação no mercado interno dos vinhos finos brasileiros era de 20,85%, no mesmo mês deste ano ela ficou em 23,33%. Esta pequena elevação no índice representa 1,5 milhão a mais de garrafas de vinhos finos produzidos no Rio Grande Sul sendo comercializadas. Os espumantes brasileiros também reforçaram a preferência de consumo, ampliando a participação de 69,8% para 76,7%. Agregando os dados de vinhos finos, de mesa e espumantes, os rótulos nacionais totalizam 77% do mercado. 
Os sucos de uva 100% naturais mantêm o ritmo forte de expansão registrado nos últimos anos. Nos primeiros dez meses de 2013, a categoria pronta para beber inflou as vendas em 44,8%, com a colocação de 63,3 milhões de litros no mercado interno. Já os concentrados, cresceram 9%, com 28,4 milhões de quilos comercializados.  
Na avaliação do diretor executivo do Ibravin, Carlos R. Paviani, os bons resultados se devem a um conjunto de fatores, a se destacar a aproximação gerada entre o setor vitivinícola e os varejistas e importadores, fruto do acordo de cooperação para promoção do vinho brasileiro no mercado interno, as mudanças no câmbio que tornaram os produtos nacionais mais competitivo, e também o reconhecimento do consumidor a respeito da qualidade dos rótulos brasileiros. Neste último caso, esse resultado é fruto do amadurecimento das estratégias de atuação comercial de um conjunto de empresas, e também às ações promocionais feitas pela entidade ao longo do ano. Em comparação com o ano passado, foram duplicadas as ações e atividades realizadas junto ao trade, formadores de opinião e consumidor final. “A campanha de final de ano vem reforçar esta estratégia junto ao mercado, potencializando os resultados a favor do vinho brasileiro em um momento de alta no consumo”, complementa Paviani. 
Mainardi complementou a avaliação, informando que nos últimos dois anos foi ampliado o repasse de recursos por meio do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado (Fundovitis), passando de 25% para 50%. A injeção financeira também contribui para o aprimoramento estrutural da cadeia produtiva. “Na prática, o estamos aplicando quase 100%, pois a outra metade que não é gerida pelo Ibravin, nós aplicamos em projetos e ações voltadas para o desenvolvimento do setor”, observou. 
O desempenho positivo observado nos produtos nacionais não se repetiram nos importados, que registraram recuo de 9,14%. A maior retração é verificada nos espumantes com 25,10%, enquanto que os vinhos finos tiveram queda de 8,06%. As duas categorias contabilizaram a venda de 59,3 milhões de litros até outubro. O desempenho negativo significou que, em relação ao ano passado, 7,9 milhões de garrafas deixaram de ingressar no mercado brasileiro. 
Outro segmento que apresentou bons resultados, foi o de vinagres. A retirada do mercado do agrin (produto fermentado acético de álcool com 10% de vinagre de vinho em sua composição, com baixo valor agregado) e a proibição de uso de corantes em vinagres de álcool repercutiu positivamente nas diferentes categorias do produto elaboradas a partir do vinho. A venda de vinagres registrou alta de 13,93%, somando 11,9 milhões de litros. Os melhores desempenhos foram observados no vinagre duplo e no simples com alta de 269% e 111%, respectivamente. “Os próprios produtores se viram beneficiados com a mudança na legislação que retirou o agrin de circulação. As vendas vinagres com valor agregado maior cresceu significativamente”, observa o diretor técnico do Ibravin, Leocir Bottega.
Perspectivas para as vendas de final de ano
No setor vitivinícola, o último trimestre concentra um terço das vendas anuais do setor. Em função das comemorações de Natal e Reveillon, em alguns segmentos, como o de espumantes, este percentual é ainda mais significativo, chegando a 54%. Apesar da sazonalidade das vendas, os produtores observam a criação de novos momentos de consumo deste produto, contribuindo para a elevação das vendas também nos demais períodos do ano. 
Favorecidos pelas ações de aproximação com o trade e diretamente com o consumidor realizadas ao longo de 2013, e também pelo câmbio desfavorável aos importados, o setor deve manter os índices de crescimento verificados até outubro. Nos espumantes, caso seja repetido o desempenho comercial do ano passado, que registrou incremento de 12%, serão comercializadas 8,99 milhões de litros da bebida no acumulado dos últimos três meses. De acordo com projeções feitas pelo setor supermercadista, o segmento de vinhos deve registrar alta de 8%, representando, em volumes, 72 milhões de litros entre rótulos finos e de mesa somados. 

Contrariando o que dizem os pequenos produtores, o secretário Mainardi, que se diz defensor deles, afirmou que “o trabalho realizado pelo Ibravin é motivo e orgulho para o estado, pois além de atuar através de uma forte articulação com o setor, agora está também estreitando relações com o varejo”.

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