terça-feira, 24 de julho de 2012

Mioranza – Cabernet Sauvignon 2008 e Chardonnay 2009


















Antonio Alvise Mioranza






                                 Vinícola Mioranza
                                 Fotos DU/JN

Fiz questão de visitar a Mioranza, no quilômetro 6 da VRS 384, no Travessão Alfredo Chaves, porque desta vinícola guardo uma nítida lembrança dos anos de 1970, quando ela só trabalhava com vinhos comuns e eu costumava, quando terminavam os festivais Vindima da Canção – fui jurado durante nove anos seguidos – passar por lá e comprar alguns garrafões de vinhos para trazer para Porto Alegre. Também passava na Cooperativa São Pedro e comprava outros garrafões. Naquela época, não havia a atual rodovia asfaltada que leva de Farroupilha direto a Flores da Cunha. A gente tinha que passar pelo centro de Caxias do Sul e pegar uma estrada de terra para chegar a Flores da Cunha.
Lembro que uma vez, com a Brasília, que tinha o porta-malas na frente, lotada de garrafões de vinho, e minha esposa, que dirigia, bateu de frente com outro carro, numa esquina em Caxias do Sul. Foi uma “sangüeira”, pois todos os garrafões quebraram e o vinho se espalhou pelo asfalto.
Mas, voltemos à Mioranza. Tive a sorte de ser recebido pelo seu Antonio Mioranza, fundador da vinícola, no início dos anos de 1960, depois que, como caminhoneiro que era, levou alguns garrafões de vinho em cima da carga, para o Rio de Janeiro, e fez amizade com portugueses donos de restaurantes que compraram todo o seu vinho e fizeram encomendas de mais. Ele viu que era um bom negócio e, em 1964, começou a cantina. Hoje, ele trabalha com 10 milhões de litros de vinho, sendo que, conservador que sabe o futuro do setor, mantém dois milhões de litros em grandes pipas de madeira, como se fazia no passado, “para encantar os turistas”. Ele produz apenas 5% dos 8 milhões de quilos de uva que usa por ano, sendo o restante fornecido por 200 famílias parceiras. Deste total, 4% é vinífera e 96% uva americana ou híbrida para vinhos de mesa e suco. Dos seus produtos de viníferas, seu Antonio recomenda, especialmente, o cabernet sauvignon, entre os tintos, e o chardonnay, entre os brancos. Eu, particularmente, gostei muito do Cabernet Sauvignon Alvise 2008, que foi, exatamente, o que ganhou Medalha de Ouro no Concurso os Melhores Vinhos de Flores da Cunha, e do Chardonnay Alvise 2009.
Este Cabernet Sauvignon Alvise 2008 é oriundo de vinhedos que produziram apenas 6 mil quilos de uvas por hectare, ficou 12 meses em carvalho francês e oito meses na garrafa. Tem 12 graus de álcool, límpido, brilhante, com tons vermelhos de rubi, frutado, com toques de ameixas e morangos, é intenso na boca, persistente, com taninos macios, excelente e prolongado retro gosto.

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