Depois de ter conquistado o primeiro Ouro do Brasil no Wine Challenge em Londres, o Gran Legado Espumante Brut Tradicional (champenoise) amplia seu quadro de medalhas com mais um Ouro, desta vez no 7º Concurso do Espumante Brasileiro, realizado entre os dias 25 e 27 de outubro em Garibaldi (RS), integrando a programação da Fenachamp 2011. O evento reuniu 231 amostras de 70 vinícolas que foram avaliadas por um painel de 51 degustadores entre enólogos, jornalistas e especialistas.
Para obter uma Medalha de Ouro no concurso foi preciso somar entre 88 a 93 pontos, tarefa nada difícil para um produto que agora acumula nove prêmios, o que o credencia como um excelente espumante nacional. Eleito o Melhor Espumante Brasileiro no Top Ten durante a Expovinis 2010, o Gran Legado Brut Champenoise coleciona medalhas conquistadas em concursos internacionais realizados na França, Inglaterra, Alemanha e Itália.
Elaborado a partir das variedades Chardonnay e Pinot Noir, o espumante é resultado de processo clássico, com prensagem direta da uva. Após etapas de assemblage e estabilização, tomada de espuma em processo champenoise (refermentação na própria garrafa), maturação por meses, degorge e colocação da vedação definitiva. As uvas foram cultivadas em vinhedos próprios da Vinícola Wine Park, no Vale dos Vinhedos, conduzidos em sistema espaldeira com produtividade controlada.
Com vinhedos próprios, a Vinícola Wine Park aposta na produção controlada e de excelência. Com uma produção controlada, a vinícola garante a qualidade da matéria-prima, favorecendo a elaboração de vinhos e espumantes diferenciados com atributos superiores, produzidos e engarrafados na sede da Vinícola (antiga Maison Forestier), no município de Garibaldi, na área demarcada de “Indicação Geográfica do Vale dos Vinhedos”. Promovido pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), o Concurso do Espumante Brasileiro é respeitado mundialmente.
PREMIAÇÕES GRAN LEGADO BRUT CHAMPENOISE
- Medalha de Prata - Vinalies Internationales 2009 (França)
- Medalha de Prata - International Wine & Spirit Competition Quality Award 2009 – Londres (Inglaterra)
- Melhor Espumante Brasileiro – Expovinis 2010 – Prêmio Top Tem (Brasil)
- Menção Honrosa - International Wine Challenge 2009 e 2010 – Londres (Inglaterra)
- Medalha de Prata - Concurso Effervescents du Monde 2010 – Dijon (França)
- Medalha de Prata - Mundus Vini 2010 - (Alemanha)
- Grande Menção – Vinitaly 2011 – Verona (Itália)
- Medalha de Ouro - International Wine Challenge 2011 – Londres (Inglaterra)
- Medalha de Ouro – 7º Concurso do Espumante Brasileiro – Garibaldi (Brasil)
terça-feira, 22 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
Portugal 1 – Uma caravana coesa, boa de garfo e de trago

Sónia Fernandes, da ViniPortugal

Ana Maria Higutchi Peres na Quinta dos Vales

José Maria Santana, Andréa Fantoni e António Lança
Fotos DU/JN
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Estou voltando de uma visita a 11 vinícolas portuguesas no Alentejo, no Algarve e na Península de Setúbal, algumas muito antigas, tradicionais e famosas, a maioria novas, modernas, tanto nos prédios e equipamentos, quanto nos conceitos sobre vinhos. Pretendo escrever sobre tudo o que vi, bebi e comi. Valeu a pena. Éramos um grupo de jornalistas brasileiros, especializados em vinhos e em gastronomia, que viajamos à convite da VinePortugal, organização representativa dos produtores, que faz a divulgação nacional e internacional dos vinhos do País, atualmente preocupado com a queda do consumo interno e nos países que são seus principais compradores. Por isso, a ViniPortugal está à procurar novos mercados internacionais para seus vinhos. O Brasil, logicamente, é um dos alvos.
Antes de entrar diretamente nas degustações, vou mostrar um pouco os números da vitivinicultura portuguesa. Também citar os nomes dos excelentes colegas que me acompanharam neste périplo (ah, palavrinha danada!). A coordenação da viagem, num confortável micro-ônibus dirigido pelo Juvenal, que passava brigando com a “rapariga” do GPS, que, em muitas aldeias do interior fornecia-lhes informações erradas sobre a rota a tomar, foi da Sónia Fernandes, da ViniPortugal, e da Andréa Fantoni, assessora de comunicação da organização. Na caravana, estavam Ana Maria Higutchi Peres, das revistas Mais e Trip, este que vos escreve, Eduardo Tristão Girão, do Caderno EM Cultura, do jornal O Estado de Minas, Estela Candido Cotes, do site Colherada Cultural, José Maria de Aguiar Santana, editor de vinhos da revistas Gosto, Liana Sabo, da coluna Favas Contadas do Correio Braziliense, Paulo Totti, do jornal Valor Econômico, Pedro de Mello e Souza, do site Food & Wine, e uma equipe da TV Globo, constituída por Sandra Maria Moreira, dos telejornais da Globo, Lucas Louis Burtscher, cinegrafista, e Robson da Silva Alves, operador técnico. Foi uma caravana coesa, boa de garfo e de trago.
Portugal 2 – Os números da vitivinicultura portuguesa

Neste momento, é outono e as vinhas dão um espetáculo bonito em Portugal
Foto DU/JN
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Portugal, que para muito brasileiro se resume nos vinhos do Porto, da Madeira e Verde, é muito mais do que isso. É um grande produtor de vinhos tranqüilos e também possui excelentes espumantes e vinhos de sobremesa. Este início de nova década me pareceu ser o melhor momento de uma mudança estratégica que vem sendo feita há mais de 20 anos na vitivinicultura lusa, com o melhor aproveitamento de suas castas autóctones, aumento das preocupações com a qualidade e, principalmente, com o surgimento de novas vinícolas, empreendimentos, em sua maioria, desenvolvidos a partir do ano 2000 – embora existam adegas com 100 anos ou mais.
Vamos aos números, fornecidos pela ViniPortugal. Em primeiro lugar, é preciso dizer que o vinho representa 2,1% do PIB português. Existem cerca de 35.000 produtores, sendo que cerca de 29 mil plantam as uvas com as quais fazem seus vinhos. Uma parte é considerada pequenos produtores, que produzem cerca de 100 hectolitros/ano.
Neste momento, conforme pudemos constatar junto aos produtores que visitamos, o objetivo é aumentar as exportações para novos mercados, especialmente Brasil, Estados Unidos, Canadá, China, Índia, Russia e Angola. Até fiz uma brincadeira com os colegas. Nós, jornalistas, escrevemos tanto sobre o Bric (Brasil, Russia, India e China), sigla que designa os países emergentes, e os vinhateiros portugueses estão interessados no Brica (Brasil, Russia, India, China e Angola) para colocar seus vinhos.
Portugal é o sétimo maior país exportador de vinho. No primeiro semestre de 2011, as exportações portuguesas de vinhos alcançaram 282,26 milhões de euros (R$ 674,60 milhões) e um volume de 1264,17 hectolitros. Exceptuando-se os vinhos licorosos Porto e Madeira, houve crescimento de 12,7% em valor e 14,9% em volume, comparado com o mesmo semestre de 2010. O incentivo às exportações da ViniPortugal está dando certo. O preço médio do produto, no entanto, caiu 1,9%. O preço médio do litro de vinho exportado ficou em 1,64 E (R$ 3,91). Neste aspecto, o vinho brasileiro exportado está muito mais caro. Segundo o Instituto Brasileiro do Vinho, entre janeiro e setembro de 2011, exportamos bem menos que os portugueses, apenas 315.244,90 litros, no valor de cerca de 2,7 milhões, ao preço médio do litro a R$ 8,60.
Embora eu tenha sentido em alguns produtores novos um certo desprezo pela Denominação de Origem e pela Indicação Geográfica, as exportações se mantém fortemente apoiadas nelas. Elas representaram 79% no valor e 51% no volume exportado. Os países de fora do Mercado Comum Europeu – onde vem caindo o consumo de vinho – responderam por 53% do volume exportado e 58% do valor gerado. China e Angola – o A do Brica – registraram os maiores índices de crescimento em valor e em volume. O mercado chinês importou mais 79,4% em valor e 156% em volume. Angola, que vive um momento de grande desenvolvimento econômico, aumentou a quota na exportação e representou 26,4% do volume total exportado, tendo crescido 41% em valor e 37% em volume.
O que os produtores chamam de mercados comunitários – os países do Mercado Comum Europeu – diminuíram suas importações, mas alguns, como Espanha e Polônia aumentaram as compras. A Espanha comprou mais 161% em volume e 42,4% em valor. A Polônia levou mais 108% de vinhos e pagou 43% a mais.
O Brasil é o sexto importador de vinhos de Portugal, tanto em volume quanto em valor. As importações andam em torno dos 8 milhões de litros/ano. No conjunto dos 21 países maiores consumidores de vinhos, o Brasil ocupa apenas a 14ª posição. De acordo com estudo divulgado em Portugal, pelo Instituto da Vinha e do Vinho, o Brasil é provavelmente o mercado mais importante para os vinhos portugueses (tranquilos), numa perspectiva de médio e de longo prazo: pelo enorme potencial de crescimento que demonstra: uma classe média em rápido crescimento e com uma frequência de consumo muito aquém do seu potencial futuro (atualmente 2,2 lit/per capita); pela importância já detida no mercado, ímpar nos mercados de maior dimensão internacional. Os estados do sul do Brasil são basicamente o mercado, com grande destaque para o Rio de Janeiro e, sobretudo, São Paulo; o consumidor brasileiro revela ser ainda pouco conhecedor do mundo do vinho, visto como um produto de luxo, mas mostra uma enorme predisposição e ‘sede’ de aprender e explorar este território, informa o relatório.
Portugal 3 – Vieiras coradas, choco frito, ostras e polvo à lagareira

Os frutos do mar são a grande atração do restaurante Seame, em Lisboa
Foto DU/JN
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Dito tudo isso acima sobre os números, vamos ao melhor, aos comes e aos bebe. Como já escrevi, estivemos em 11 vinícolas: Herdade do Rocim, em Cuba, Alentejo; Quinta dos Vales, em Estômbar, Lagoa, Algarve: Herdade dos Grous, em Albernôa, Alentejo; Herdade da Malhadinha Nova, também em Albernôa, Alentejo; Herdade Grande, Condado das Vinhas, em Vidigueira, Alentejo; Quinta do Quetzal, em Vidigueira, Alentejo; Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, Alentejo; Quinta Dona Maria, em Estremoz; Bacalhôa, em Azeitão; Casa Agrícola Horácio Simões, na Quinta do Anjo, em Palmela, Alentejo; e, finalmente, na José Maria da Fonseca, no Azeitão.
Antes, de entrar nas degustações, vale a pena lembrar o almoço que fizemos na peixaria Seame (rua do Loreto, 21), numa das lombas do Chiado, em Lisboa. Começamos bebendo um vinho Lasso 2008, elaborado com as castas arinto e Fernão Pires, para acompanhar vieiras coradas, tártaro de manga e flor de sal. Depois, choco frito em tempura preta, com folha de shiso, e sushi com sardinha assada, desta vez acompanhado com um Soalheiro 2010 da Quinta do Vinho Verde, de Monção e Melgaço, com base na alvarinho plantada por Anselmo Mendes. Seguiram-se ostras da Ria Formosa e polvo à lagareira, com grelos (folhas do nabo), acompanhadas por um branco Dão 2010, de Julia Kemper, elaborado com uvas biológicas. A sobremesa foi acompanhada por um Porto Barros 20 anos. O almoço terminou às 16h30 min e custou cerca de Eu 53 (R$ 121,90) para cada um.
Portugal 4 – Herdade do Rocim, Cuba, Alentejo, vinhos e comida de chef

A Herdade do Rocim, em Cuba, Alentejo

Catarina Vieira, dona e enóloga da Herdade do Rocim

Chefe de cozinha José Júlio Vintém, do restaurante Tombalobos
Fotos DU/JN
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O roteiro vitivinícola propriamente dito começou na aldeia de Cuba, no Alentejo, à qual chegamos depois de algumas paradas, porque nosso motorista Juvenal não se entendia muito bem com a “rapariga” do GPS e se perdeu mais de uma vez. Fomos recebidos pela proprietária e enóloga Catarina Vieira, filha de um grande empresário português, que começou o empreendimento em 2000 e inaugurou-o em 2007, portanto, é uma vinícola que faz parte do novo processo de produção português. São cerca de 100 hectares, 60 ha de vinhas, onde se plantam as castas alvarinho, arinto, Antão Vaz, viosinho, roupeiro, perrun, alicante bouschet, syrah, touriga nacional, aragonez, tannat,petit verdot, cabernet sauvignon e carmenère, entre outras. A produção é de 250 mil garrafas e Catarina quer chegar a 600 mil nos próximos quatro anos. De sua produção, 50 mil garrafas são de brancos e 5 mil de rosé.
Ela quer vinhos com muita mineralidade, elaborados, em média, com 12 horas de maceração, não baixa muito o frio, trabalhando os tintos entre 20 e 25 graus. Em sua adega, está presente o poeta Fernando Pessoa (1888-1935): “Boa é a vida, mas melhor é o vinho”, “Dá-me mais vinho que a vida é nada”. Ela é das que não dá muita atenção às denominações de origem, mas gosta do conceito Vinho Regional Alentejano. Começa a vindima em agosto e produz, em média, 6 toneladas/hectare.
Catarina começou a degustação com um Rocim 2010, branco, elaborado com uvas Antão Vaz, arinto e roupeiro,sem madeira, 13º de álcool, vinho agradável, de boa estrutura. Depois, foi um Olho de Mocho Reserva 2010, 100% Antão Vaz, 13º de álcool, de característica mineral, boa estrutura de boca, frutado, elegante, ideal para acompanhar queijos. Seguiu-se o Olho de Mocho Rosé 2010, de touriga nacional, syrah e aragonez, com 13,5º de álcool, seco, um vinho gastronômico, que cai bem com peixes.
O vinho número quatro foi um Mariana 2008, vinho que a Herdade do Rocim só faz para exportação. Frutado, redondo, é elaborado com alfrocheiro, alicante bouschet, aragonez e trincadeira. Não tem madeira, mas tem história. É uma homenagem à freira que vivia em Beja e escreveu belíssimas cartas de amor, aqui no Brasil denominadas Cartas Portuguesas.
O vinho seguinte foi um Rocim 2007, tinto, elaborado com aragonez, trincadeira e alicante bouschet da região da Vidigueira, 14º de álcool, 50% do qual passou seis meses em barricas de carvalho francês e ameriicana e os outros 50% seis meses em inox e, depois, mais seis meses em garrafa. Vinho concentrado, aroma de amoras, muito elegante, com complexidade e muita estrutura, embora ainda se sinta muito tanino na boca. Seguiu-se um tinto Olho de Mocho 2009, elaborado com touriga nacional, syrah e alicante bouschet, que passou 100% em barrica durante um ano e seis meses na garrafa, tem aroma frutado, de compota, muito fresco e muita cor. Deverá se tranformar num grande vinho nos próximos cinco anos.
Catarina e sua família tem outro projeto, de apenas 4 hectares, no Vale da Mata, na Alta Extremadura, perto de Fátima, região de Lisboa. De lá, já sairam o Vale da Mata 2008, que provamos a seguir - um vinho de syrah, touriga nacional e aragonez, muito mineral, fresco, 14º de álcool; e o Vale da Mata Reserva 2008, com as mesmas castas, mas muito mais concentrado porque levou mais syrah e touriga nacional. Grau alcoolico de 14,5º.
A Herdade do Rocim fatura em torno de 1 milhão de Euros/ano e, segundo Catarina Vieira, suas melhores safra foram 2007, 2009 e a atual, 2011. Depois de provarmos estes oito vinhos, ela nos convidou para almoçar nas belas e modernas instalações da herdade (prédio do arquiteto Carlos Vitorino), decorada com quadros adquiridos por seu pai, empresário amante da arte. A vinícola tem instalações atualizadas, com tanques de aço inox, mas mantém o lagar de mármore, onde algumas uvas são pisadas por jovens moças, e as antigas talhas de barro, onde elabora um “vinho da talha”, como faziam os antigos romanos ocupantes da Península Ibérica, há dois mil anos.
O almoço foi preparado pelo chef José Julio Vintém, do restaurante Tombalobos, em Portalegre (av. Movimento das Forças Armadas, 7300), e esteve entre osmelhores que provei nesta jornada em Portugal. As entradas foram brigadeiros de morcela, cacholeira branca com doce de laranja e amêndoa, bucho grelhado em salada e azeitona galega. Depois, bacalhau no forno com batata à padeiro, tomate seco e pimento recheado com favas e alcachofras e, finalmente, queixadas de porco alentejano assadas no forno com alecrim, castanhas e batatinha nova. A sobremesa foi pudim de requeijão com doce de abóbora. Tudo isso, é claro, acompanhado pelos melhores vinhos da Herdade do Rocim.
Catarina Vieira, dona e enóloga da Herdade do Rocim
A Herdade do Rocim
O roteiro vitivinícola propriamente dito começou na aldeia de Cuba, no Alentejo, à qual chegamos depois de algumas paradas, porque nosso motorista Juvenal não se entendia muito bem com a “rapariga” do GPS e se perdeu mais de uma vez. Fomos recebidos pela proprietária e enóloga Catarina Vieira, filha de um grande empresário português, que começou o empreendimento em 2000 e inaugurou-o em 2007, portanto, é uma vinícola que faz parte do novo processo de produção português. São cerca de 100 hectares, 60 ha de vinhas, onde se plantam as castas alvarinho, arinto, Antão Vaz, viosinho, roupeiro, perrun, alicante bouschet, syrah, touriga nacional, aragonez, tannat,petit verdot, cabernet sauvignon e carmenère, entre outras. A produção é de 250 mil garrafas e Catarina quer chegar a 600 mil nos próximos quatro anos. De sua produção, 50 mil garrafas são de brancos e 5 mil de rosé.
Ela quer vinhos com muita mineralidade, elaborados, em média, com 12 horas de maceração, não baixa muito o frio, trabalhando os tintos entre 20 e 25 graus. Em sua adega, está presente o poeta Fernando Pessoa (1888-1935): “Boa é a vida, mas melhor é o vinho”, “Dá-me mais vinho que a vida é nada”. Ela é das que não dá muita atenção às denominações de origem, mas gosta do conceito Vinho Regional Alentejano. Começa a vindima em agosto e produz, em média, 6 toneladas/hectare.
Catarina começou a degustação com um Rocim 2010, branco, elaborado com uvas Antão Vaz, arinto e roupeiro,sem madeira, 13º de álcool, vinho agradável, de boa estrutura. Depois, foi um Olho de Mocho Reserva 2010, 100% Antão Vaz, 13º de álcool, de característica mineral, boa estrutura de boca, frutado, elegante, ideal para acompanhar queijos. Seguiu-se o Olho de Mocho Rosé 2010, de touriga nacional, syrah e aragonez, com 13,5º de álcool, seco, um vinho gastronômico, que cai bem com peixes.
O vinho número quatro foi um Mariana 2008, vinho que a Herdade do Rocim só faz para exportação. Frutado, redondo, é elaborado com alfrocheiro, alicante bouschet, aragonez e trincadeira. Não tem madeira, mas tem história. É uma homenagem à freira que vivia em Beja e escreveu belíssimas cartas de amor, aqui no Brasil denominadas Cartas Portuguesas.
O vinho seguinte foi um Rocim 2007, tinto, elaborado com aragonez, trincadeira e alicante bouschet da região da Vidigueira, 14º de álcool, 50% do qual passou seis meses em barricas de carvalho francês e ameriicana e os outros 50% seis meses em inox e, depois, mais seis meses em garrafa. Vinho concentrado, aroma de amoras, muito elegante, com complexidade e muita estrutura, embora ainda se sinta muito tanino na boca. Seguiu-se um tinto Olho de Mocho 2009, elaborado com touriga nacional, syrah e alicante bouschet, que passou 100% em barrica durante um ano e seis meses na garrafa, tem aroma frutado, de compota, muito fresco e muita cor. Deverá se tranformar num grande vinho nos próximos cinco anos.
Catarina e sua família tem outro projeto, de apenas 4 hectares, no Vale da Mata, na Alta Extremadura, perto de Fátima, região de Lisboa. De lá, já sairam o Vale da Mata 2008, que provamos a seguir - um vinho de syrah, touriga nacional e aragonez, muito mineral, fresco, 14º de álcool; e o Vale da Mata Reserva 2008, com as mesmas castas, mas muito mais concentrado porque levou mais syrah e touriga nacional. Grau alcoolico de 14,5º.
A Herdade do Rocim fatura em torno de 1 milhão de Euros/ano e, segundo Catarina Vieira, suas melhores safra foram 2007, 2009 e a atual, 2011. Depois de provarmos estes oito vinhos, ela nos convidou para almoçar nas belas e modernas instalações da herdade (prédio do arquiteto Carlos Vitorino), decorada com quadros adquiridos por seu pai, empresário amante da arte. A vinícola tem instalações atualizadas, com tanques de aço inox, mas mantém o lagar de mármore, onde algumas uvas são pisadas por jovens moças, e as antigas talhas de barro, onde elabora um “vinho da talha”, como faziam os antigos romanos ocupantes da Península Ibérica, há dois mil anos.
O almoço foi preparado pelo chef José Julio Vintém, do restaurante Tombalobos, em Portalegre (av. Movimento das Forças Armadas, 7300), e esteve entre osmelhores que provei nesta jornada em Portugal. As entradas foram brigadeiros de morcela, cacholeira branca com doce de laranja e amêndoa, bucho grelhado em salada e azeitona galega. Depois, bacalhau no forno com batata à padeiro, tomate seco e pimento recheado com favas e alcachofras e, finalmente, queixadas de porco alentejano assadas no forno com alecrim, castanhas e batatinha nova. A sobremesa foi pudim de requeijão com doce de abóbora. Tudo isso, é claro, acompanhado pelos melhores vinhos da Herdade do Rocim.
Portugal 5 – Vinho e arte, grandes ursos e mulheres grandes

As grandes mulheres também alegram os recantos da quinta: The Graces

Os grandes ursos espalhados pelos jardins

Karl Heinz Stock, magnata alemão, dono da Quinta dos Vales

Erhard Braun, administrador da Quinta dos Vales
Fotos DU/JN
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A visita seguinte foi à Quinta dos Vales, em Estômbar, perto de Carvoeiro, em Lagoa, no centro do Algarve. O alemão Erhard Braun, que fala bem português, nos recebeu com o espumante Marquês dos Vales, elaborado 100% com uva castelão, pelo método champenoise, muito seco, lançado há pouco tempo pela vinícola, que é de propriedade do magnata alemão Karl Heinz Stock, com grandes negócios na Alemanha e na Russia, amante das artes, que transformou a propriedade num centro de arte, enchendo seus pátios e alamedas com grandes esculturas de ursos, mulheres gordas, à Bottero, e outras obras, criadas por 30 artistas sob a supervisão dele. Karl vem periodicamente a Portugal e tivemos a sorte de encontrá-lo na quinta, dia 7 de novembro.
A área da propriedade é maior – também se plantam frutas -, mas 50 hectares são dedicados às uvas petit verdot, cabernet sauvignon, syrah, alicante bouschet, touriga nacional, arinto, siria, alvarinho, viognier, Antão Vaz e outras, algumas já com 14 anos. A produção é de 100 mil litros/ano. Como a Herdade do Rocim, faz parte do rol das novas vinícolas portuguesas, pois seu primeiro vinho é de 2008. Exporta para Brasil, Africa, China, Holanda e, segundo Braun, pretende aumentar suas vendas ao Brasil, embora “as taxas para entrar no país sejam muito altas”.
Nosso segundo vinho, na degustação coordenada por Braun, foi um Marquês do Vale Rosé Primeira Seleção 2010, preparado, também, com uva castelão, macerada entre 12º e 14º. Muito seco, 12,50º, com forte aroma de framboesa e morango, bastante frutado. Depois, fomos para um Marquês do Vale Primeira Seleção 2010, branco, 12,50º, um vinho jovem para ser bebido no ano, elaborado com 100% castelão, bastante seco, mas fácil de beber, não exige comida.
O quarto vinho foi o Marquês dos Vales Grace 2010, o vinho das Graças, homenagem às gordas estátuas que enfeitam a quinta, elaborado com siria, malvasia fina e arinto, bastante seco. Braun fez questão de ressaltar que todas as uvas são colhidas à mão e que os preços dos vinhos oscilam entre E 6,90 (R$ 16,49) e E 11,18 (R$ 26,70), os brancos, e E 16,90 (R$ 40,39) os tintos. A produção dos vinhedos fica entre 5 e 6 t/ha.
O vinho seguinte foi um Marquês dos Vales Selécta 2009, elaborado com trincadeira, aragonêz e castelão, que passou 12 meses em barricas de carvalho francês, lançado em outubro deste ano. Forte, pesado, ideal para acompanhar carnes e peixes ou, como adoram os portugueses, uma sardinha grelhada. Lembrei-me dos tempos em que comia sardinhas na brasa e bebia muito vinho pesadão, na Mouraria, em Lisboa, em companhia do suadoso jornalista Clóvis Ott e da Sônia Renner. É um vinho que daqui a cinco anos estará muito bom.
Seguiu-se um Marques dos Vales Grace 2007, primeira colheita de uvas aragonez (25%), cabernet sauvignon (50%) e castelão (25%), com 18 meses em barris de carvalho francês, com 13.50º de álcool. Depois, um Marquês dos Vales Grace Touriga Nacional 2009, com 13º, 100% touriga nacional, mais concentrado, pronto para beber, pois passou um ano e dois meses em barricas de carvalho novo francês. Achei que a madeira está forter, mas vai se acalmar. O Grace Touriga Nacional 2008 foi considerado o melhor do país naquela casta.
O jantar não foi na Quinta dos Vales porque, embora tenha instalações hoteleiras para receber turistas e realizar concertos, provas de vinhos, eventos e até casamentos, só oferece café da manhã. Fomos jantar no restaurante Barradas, em Lagoa. No dia seguinte, pela manhã cedo, encontramos Karl Heinz Stock, que chegou à quinta em seu Porsche, e nos saudou com simpatia, enquanto Braun nos mostrava as modernas cubas tronco-cõnicas de aço inoxidável trazidas da Itália. Stock é um magnata dos setores dos combustíveis e dos empreendimentos imobiliários, na Alemanha e Russia, e resolveu morar no sul de Portugal. Tem paixão por escultura, o que explica as grandes peças que existem nos jardins da quinta.
Erhard Braun, administrador da Quinta dos Vales
Karl Heinz Stock, magnata alemão, dono da Quinta dos Vales
Os grandes ursos espalhados pelos jardins
As grandes mulheres também alegram os recantos da quinta
A visita seguinte foi à Quinta dos Vales, em Estômbar, perto de Carvoeiro, em Lagoa, no centro do Algarve. O alemão Erhard Braun, que fala bem português, nos recebeu com o espumante Marquês dos Vales, elaborado 100% com uva castelão, pelo método champenoise, muito seco, lançado há pouco tempo pela vinícola, que é de propriedade do magnata alemão Karl Heinz Stock, com grandes negócios na Alemanha e na Russia, amante das artes, que transformou a propriedade num centro de arte, enchendo seus pátios e alamedas com grandes esculturas de ursos, mulheres gordas, à Bottero, e outras obras, criadas por 30 artistas sob a supervisão dele. Karl vem periodicamente a Portugal e tivemos a sorte de encontrá-lo na quinta, dia 7 de novembro.
A área da propriedade é maior – também se plantam frutas -, mas 50 hectares são dedicados às uvas petit verdot, cabernet sauvignon, syrah, alicante bouschet, touriga nacional, arinto, siria, alvarinho, viognier, Antão Vaz e outras, algumas já com 14 anos. A produção é de 100 mil litros/ano. Como a Herdade do Rocim, faz parte do rol das novas vinícolas portuguesas, pois seu primeiro vinho é de 2008. Exporta para Brasil, Africa, China, Holanda e, segundo Braun, pretende aumentar suas vendas ao Brasil, embora “as taxas para entrar no país sejam muito altas”.
Nosso segundo vinho, na degustação coordenada por Braun, foi um Marquês do Vale Rosé Primeira Seleção 2010, preparado, também, com uva castelão, macerada entre 12º e 14º. Muito seco, 12,50º, com forte aroma de framboesa e morango, bastante frutado. Depois, fomos para um Marquês do Vale Primeira Seleção 2010, branco, 12,50º, um vinho jovem para ser bebido no ano, elaborado com 100% castelão, bastante seco, mas fácil de beber, não exige comida.
O quarto vinho foi o Marquês dos Vales Grace 2010, o vinho das Graças, homenagem às gordas estátuas que enfeitam a quinta, elaborado com siria, malvasia fina e arinto, bastante seco. Braun fez questão de ressaltar que todas as uvas são colhidas à mão e que os preços dos vinhos oscilam entre E 6,90 (R$ 16,49) e E 11,18 (R$ 26,70), os brancos, e E 16,90 (R$ 40,39) os tintos. A produção dos vinhedos fica entre 5 e 6 t/ha.
O vinho seguinte foi um Marquês dos Vales Selécta 2009, elaborado com trincadeira, aragonêz e castelão, que passou 12 meses em barricas de carvalho francês, lançado em outubro deste ano. Forte, pesado, ideal para acompanhar carnes e peixes ou, como adoram os portugueses, uma sardinha grelhada. Lembrei-me dos tempos em que comia sardinhas na brasa e bebia muito vinho pesadão, na Mouraria, em Lisboa, em companhia do suadoso jornalista Clóvis Ott e da Sônia Renner. É um vinho que daqui a cinco anos estará muito bom.
Seguiu-se um Marques dos Vales Grace 2007, primeira colheita de uvas aragonez (25%), cabernet sauvignon (50%) e castelão (25%), com 18 meses em barris de carvalho francês, com 13.50º de álcool. Depois, um Marquês dos Vales Grace Touriga Nacional 2009, com 13º, 100% touriga nacional, mais concentrado, pronto para beber, pois passou um ano e dois meses em barricas de carvalho novo francês. Achei que a madeira está forter, mas vai se acalmar. O Grace Touriga Nacional 2008 foi considerado o melhor do país naquela casta.
O jantar não foi na Quinta dos Vales porque, embora tenha instalações hoteleiras para receber turistas e realizar concertos, provas de vinhos, eventos e até casamentos, só oferece café da manhã. Fomos jantar no restaurante Barradas, em Lagoa. No dia seguinte, pela manhã cedo, encontramos Karl Heinz Stock, que chegou à quinta em seu Porsche, e nos saudou com simpatia, enquanto Braun nos mostrava as modernas cubas tronco-cõnicas de aço inoxidável trazidas da Itália. Stock é um magnata dos setores dos combustíveis e dos empreendimentos imobiliários, na Alemanha e Russia, e resolveu morar no sul de Portugal. Tem paixão por escultura, o que explica as grandes peças que existem nos jardins da quinta.
Portugal 6 – Herdade dos Grous, um enólogo que já construiu 15 vinícolas

Enólogo Luis Duarte já construiu 15 vinícolas no Alentejo

Uma oliveira de 500 anos
Fotos DU/JN
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Se o vinho do Alentejo tem um nome a venerar é o do enólogo Luis Duarte, atualmente enólogo da Herdade dos Grous, em Albernôa, no Alentejo, e consultor de outras várias vinícolas, além de possuir um empreendimento próprio, onde produz 500 mil garrafas. Desde que começou a trabalhar com vinhos, Duarte já construiu 15 adegas, dando um impulso formidável ao “novo vinho alentejano”.
A Herdade dos Grous, também um complexo de hotelaria e turismo, além da criação de gado alentejano, porco preto, ovelhas e cavalos lusitanos, produção de vinho e azeite (há oliveiras com 500/600 anos, ainda produzindo), pertence a uma família alemã, Pohl, que possui, nada mais, nada menos, do que 153 companhias, muitas multinacionais, que operam nos mais diferentes segmentos industriais e empresáriais, inclusive, em hotelaria e bancos. É a sexta família mais rica da Europa, comandada por Reinfried Pohl. O Grupo se chama Vila Vita e possui um dos melhores hotéis do Algarve, numa área de 22 ha, com 11 restaurantes. Está construindo outro complexo, este no Alentejo, com três hotéis e campos de golfe, a cinco quilômetros da Herdade dos Grous. O objetivo éligar a hotelaria com o vinho, cuja produção começou em 2004, com a construção da adega, instalada entre 102 hectares de vinhedos, sendo 80% de uvas tintas e 20% de brancas. Um detalhe: na herdade, tudo é biológico, as uvas, as oliveiras, o gado, as ovelhas, os porcos e até a criação de cavalos. A herdade possui 24 quartos para receber hóspedes e muitas vezes recebe as cegonhas (os grous) que lá vão fazer seus ninhos.
Grous é uma ave (cegonha) que faz seu ninho naquela região, especialmente nos 700 hectares da herdade, onde são plantadas as castas aragonez, alicante bouschet, tinta miúda, touriga nacional, syrah, carmenère, cabernet sauvignon, nebbiolo, Antão Vaz, arinto, roupeiro , alvarinho, viognier, semillon e petit manteli, entre outras. Esta última permite produzir um vinho de sobremesa onde a podridão nobre (Botrytis cinerea) é criada artificialmente com as aspersão de água sobre a vinha.
A primeira vindima da Herdade dos Grous ocorreu em 2004 e a vinícola já saiu ganhando prêmios. Foi o melhor vinho tinto do Alentejo naquele ano, no segundo, no terceiro e no quarto. Hoje, produz 400 mil garrafas e fatura E 3 milhões (R$ 7 milhões) com o vinho, E 1 milhão (R$ 2,39 milhões) com o turismo e E 400 mil (R$ 956 mil) com os cavalos. Neste ano, segundo outro enólogo da herdade, Pedro Ribeiro, a safra de uvas foi 20% menor, mas a qualidade foi boa, apesar de alguma chuva.De acordo com Luis Duarte, as principáis exportações de vinhos são para Alemanha, Suiça, Brasil e Angola. O Brasil é o terceiro importador da Herdade dos Grous.
Portugal 7 – Um vinho ícone, Dona Ali, o mais caro de Portugal

O porco preto na Herdade dos Grous

Os enólogos Pedro Ribeiro e Luis Duarte mostram a preciosidade: Dona Ali
Fotos DU/JN
Herdade dos Grous tem muita beleza e grandes vinhos
Foto HG
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A grande paixão do enólogo Luis Duarte, neste momento, é a colocação no mercado de um vinho que ele desenvolveu com muito carinho,o dona Dona Ali, uma homenagem à esposa do dono da Herdade dos Grous, Reinfriend Pohl, recentemente falecida, e que era muito querida por todos. É um alicante bouschet, touriga nacional e cabernet sauvignon, que passou 24 meses em barricas de carvalho francês, e do qual serão engarrafadas apenas 2 mil unidades para serem colocadas dentro de uma luxuosa caixa de madeira. Duarte não disse o preço do vinho, mas garantiu: “Serei o produtor português que venderá o vinho mais caro de Portugal.” Ele acredita que o lançamento, nos próximos dias, desaparecerá rapidamente do mercado, disputado pelos cinco mil diretores do grupo. Provei o vinho, como se verá mais adiante, é maravilhoso.
Visitados os campos, os vinhedos, as oliveiras de 500 anos, os cavalos lusitanos, as ovelhas e as vacas alentejanas, os porcos pretos e a cantina, que não é muito diferente das demais, mas extremamente moderna, fomos para o almoço e a degustação dos vinhos da Herdade dos Grous, coordenada por Luis Duarte e Pedro Ribeiro. Começamos com um Herdade dos Grous 2010, elaborado com arinto, roupeiro e Antão Vaz, fresco, jovem, frutado, sem madeira, que acompanhou bem as azeitonas galegas, o presunto Pata Negra elaborado na própria herdade e outros petiscos portugueses. Depois, um Herdade dos Grous Reserva 2010, branco, com Antão Vaz, verdelho e viognier, que estagiou oito meses em barrica, cor dourada, aroma de fruta que sugere pêssego e lima bem integrado, com notas de baunilha provenientes da madeira onde fermentou.
Seguiu-se um Herdade dos Grous 2009, com aragonez, syrah, alicante bouschet e touriga nacional, que passou nove meses em barricas francesas e americanas, e que acompanhou muito bem a vitela com aspargos, batata assada e favas. É um vinho tinto de aroma complexo de frutos vermelhos bem maduros com notas de especiarias provenientes do estágio em madeira.
O outro prato foi um lombo de novilho, muito bem acompanhado pelo 23 Barricas 2010, outro vinho só elaborado pela Herdade dos Grous em safras de excepcional qualidade. Feito com touriga nacional e syrah, de cor granada profunda e aroma complexo, proveniente do estágio em madeira, elegante. Depois, comemos um lombinho de porco preto, com arrozinho cremoso de farinheira, e bebemos um Moon Harveste Tinto 2009, cujas uvas foram colhidas ao luar, para aproveitar a proximidade da Lua em relação à Terra, o que influencia o vinho, assim como são influenciadas as marés nos oceanos; 100% alicante bouschet, tem sabor rico e redondo, cor rubi e notas interessantes de madeira.
O sexto vinho oferecido por Luis Duarte foi um Herdade dos Grous Reserva 2009, elaborado com tinta miúda (30%), touriga nacional (20%) e alicante bouschet (50%), que passou 16 meses em barrica nova francesa. Ainda está muito novo na garrafa, mas tem potencial para evoluir, pois é muito concentrado, estrutura de taninos firme e muita acidez. Caiu como uma luva com o porco preto elaborado pelo chef Ricardo Moutinho.
Finalmente, o grande momento, a prova do Dona Ali 2008, a paixão do enólogo Luis Duarte. O lançamento será feito ainda neste mês de novembro e nós tivemos a primícia. É um super vinho. Muito bom. O melhor de todos os que bebi naquele almoço fantástico. Está muito novo, ainda, pois foi tirado do barril, mas vai ser dos bons. Pena que serão apenas duas mil garrafas de 1,5 litros, que sumirão do mercado rapidamente. Passou 24 meses em barricas novas de carvalho francês.Terminamos o almoço com um Late Harveste 2008, elaborado com petit manseng, na qual foi inoculada a Botrytis Cinerea e duas vezes por dia regada com água gelada para provocar umidade. Resultou um vinho com boa acidez e boa doçura, suave, não agressivo pelo doce.
Portugal 8 – A rolha

Os sobreiros dominam a paisagem do Alentejo

O sobreiro
Pintura de Carlos de Bragança
Reproduções JN
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As rolhas elaboradas em Portugal são consideradas as melhores do mundo. O sobreiro, de cuja casca é feita a rolha, marca significativamente a paisagem do Alentejo. O viajante anda quilômetros e quilômetros, pelas rodovias, e de ambos os lados as árvores marcam a paisagem, destacando-se na cor amarelada dos campos ou bordeando milhares de pés de oliveiras. Algumas estão intactas, outras sem a casa, retirada para a confecção das rolhas e de objetos de artesanato, decoração e até bolsas femininas. A cortiça também é usada para isolamentos térmicos e sonoros. A bolota dos sobreiros é um dos melhores alimentos para engordar os porcos pretos.
A casca do sobreiro é retirada de nove em nove anos, com uma técnica especial, que não prejudica a continuidade do desenvolvimento da árvore. A árvore volta a produzir nova camada de casca. Em algumas regiões, é chamada Azinheira e foi sobre uma delas, na Cova da Iria, em 1917, que Nossa Senhora de Fátima teria aparecido para três pastorzinhos portugueses: Lúcia, Francisco e Jacinta.
Portugal 9 – Herdade da Malhadinha, no coração do Baixo Alentejo

Vinhas de Herdade da Malhadinha Nova amareladas pelo outono

João Soares só quer saber de vinhos de qualidade
A Herdade da Malhadinha Nova
Fotos DU/JN
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Depois da Herdade dos Grous, fomos para a Herdade da Malhadinha Nova, também em Albernôa, Alentejo, vinícola que também faz parte da nova vaga de vinhos alentejanos. Numa casa de 1926, que estava abandona, caindo aos pedaços, João Soares e sua família instalaram uma moderna vinícola, que começou a funcionar em 1998, numa área de 453 hectares, foram plantados 27 há de vinhedos, em 2000, com 7 tintas – alicante bouschet, aragonez, touriga nacional, tinta miúda, cabernet sauvignon, syrah e trincadeira – e 6 brancas – arinto, roupeiro, Antão Vaz, verdelho, viognier, chardonnay e petit manseng.
A cantina foi construída em 2003. A propriedade se dedica, também, ao enoturismo, com 3 suites, 7 quartos duplos, restaurante Gourmet, SPA, pesca e caça. Há criações de porco preto, que se alimentam das bolotas de azinheira, vaca alentejana em linha pura, ovelhas merino alentejano, cavalos lusitanos e produção de azeitonas e azeite. A adega é moderna, com a cave de barricas escavada à vários metros de profundidade. João nos mostrou os grandes tanques de inox à noite, brilhantes e até meio fantasmagóricos – foi a primeira vez na vida que visitei uma cantina à noite – e mostrou seu orgulho em produzir 250 mil garrafas/ano, 60% de tintos, 40% de brancos, numa produção de 6 t/há, como manda o figurino para se obter vinhos de qualidade. A adega é bem iluminada, clara, com equipamentos super atualizados, arquitetura moderna, os lagares são refrigerados e neles a pisa a pé permite obter da uva todo o potencial que a natureza oferece. João, 42 anos, quatro filhos, um dos mais característicos representantes dos “novos produtores”, garante: “Daqui para a frente, Portugal não tem por que fazer maus vinhos.” Na verdade, todos os novo vitivinicultores (e os antigos também) se beneficiaram do ingresso de Portugal no Mercado Comum Europeu, porque os fundos de desenvolvimento do MCE aos países menos ricos, garantiram financiamentos com 30% a 40% à fundo perdido e taxa zero de juros para pagar o restante. Talvez aí esteja um pouco da atual crise financeira européia. Anibal Antonio Cavaco Silva, décimo nono presidente de Portugal, visitou a Malhadinha Nova e levou consigo 80 enólogos para mostrar-lhes aquela vinícola como exemplo de inovação, segundo João Soares.
Antes, sob uma azinheira, no meio dos vinhedos, João informou que aqui não chove de abril a outubro e que há uma grande inversão termica entre o dia e a noite.que beneficia a qualidade das uvas. Aliás, estava escurecendo, o sol se pôs, no horizonte, e a temperatura começou a cair, no meio do campo, e tivemos que ir para os prédios da Malhadinha Nova. Ele exporta cerca de 30% da produção para mais de 20 países: Suiça, Angola, Macao, Brasil, Estados Unidos, Itália, França, Alemanha e China, principalmente.
Um dos destaques da casa é o Monte da Peceguina Tinto 2010, um Vinho Regional Alentejano, elaborado com aragonez, alicante bouschet, touriga nacional, syrah e cabernet sauvignon, que passou 9 meses em carvalho francês, de final longo e persistente. É macio e fresco, com notas de frutos silvestres. Depois das andanças e das conversas, chegou a hora da degustação, feita durante o jantar. O chefe de cozinha é Bouazza Bouhlani, mas, naquela noite, estava ausente, e foi substituído pelo chef Bruno Antunes e por sua colaboradora Vitalina Santos, com apoio da Joana e da Rosina, que não fizeram feio.
Começamos com um Monte da Peceguina 2010, branco, elaborado com quatro castas: arinto, Antão Vaz, verdelho e roupeiro, um vinho que se mostrou fresco, com bom álcool (12,5º), ideal para acompanhar o pão tradicional alentejano embebido no azeite não filtrado e o pão de azeitonas galegas, seguidos de um creme de agrião com tartar de atum da costa do Algarve. Depois, passamos para um Antão Va z da Peceguina 2010, 100% da uva que lhe dá o nome, branco, bastante frutado, que o João informou não elaborar todos os anos, só quando a Antão Vaz, a casta mais importante do Alentejo, apresenta grande qualidade. Tem untuosidade na boca, envolvendo-a completamente. Acompanhou bem uma corvina com legumes e xerèm poejo, como é feito na cidade de Olhão.
O terceiro vinho foi o Malhadinha 2010, branco, elaborado com arinto (60%), viognier (20%) e chardonnay (10%), que passou 8 meses em barricas de carvalho francês, sendo 50% em novas e os outros 50% em de segunda. É um vinho de personalidade forte e equilíbrio na boca, mas precisa de 1 ano ou 2 mais, na garrafa, para ganhar complexidade. A seguir, foi a vez do Monte da Peceguina 2010 tinto, para acompanhar um prato de novilho com alecrim e lasanha de legumes. Elaborado com touriga nacional, cabernet sauvignon, alicante bouschet, aragonez e syrah, mostrou-se jovem, com muita fruta e claros sinais da madeira de carvalho francês no qual passou 10 meses, taninos sedosos e equilibrados.
O quinto vinho foi o Aragonez da Peceguina 2008, 100% aragonez, um vinho que me pareceu muito bom, boa estrutura, bons taninos, amaciados pelas barricas novas de carvalho francês onde passou 100%. O enólogo apresenta-o como “ um vinho denso com laivos de violeta, uma aroma que destaca os frutos vermelhos e uma mineralidade envolvida em tosta e notas de chocolate”. Depois, veio um Malhadinha 2009, tinto de cinco castas: alicante bouschet, aragonez, tinta miúda, touriga nacional e syrah, que passou 16 meses em barrica nova francesa. A tinta miúda lhe trouxe acidez e alegria, como disse João Soares, mas mostrou-se muito jovem, um vinho que estará mais redondo daqui a um ano, embora já tenha sido pontuado pelo crítico norte-americano Robert Parker com 92 pontos. Segundo Parker, foi o melhor que a Malhadinha Nova já fez. Tem aromas muito florais, violetas e rosas e álcool de 15,5º. “Fazer grandes vinhos, ícones, sem ter álcool, não funciona”, disse João Soares. Admitiu que é preciso fazer vinhos com menos álcool, mas garantiu: “Nunca vou utilizar osmose reversa para tirar álcool dos meus vinhos! Não quero vender muito vinho, quero vender bons vinhos!”
Antes da sobremesa, degustamos o vinho mais tradicional da casa, austero, elegante, de aromas balsâmicos, complexo, o Maria da Malhadinha 2007, um tinto elaborado com aragonez (60%), cabernet sauvignon (20%) e alicante bouschet (20%), que passou 26 meses em barricas e 1 ano em garrafa antes de chegar ao mercado e à nossa mesa. É um vinho que, em Portugal, é vendido a E 60 (R$ 143,40). As uvas foram pisadas pelo método tradicional. Em sua nota de prova, diz-se que tem uma cor intensa e carregada sendo o seu aroma profundo e complexo a frutos pretos maduros, com amêndoas torradas, especiarias e até notas de tabaco.
Encerramos o jantar com um vinho de sobremesa Late Harvest 2008, da uva petit manseng, que passou 1 ano e meio em barricas de carvalho. É um colheita tardia, teor alcoólico de 15º, cujas uvas foram vindimadas em outubro. A Malhadinha Nova tem apenas 0,8 há desta uva, que lhe rende 480 litros.
Dormimos na pousada da vinícola, com instalações muito bonitas, desenho moderno, decoração sofisticada, onde a modernidade e a tradição se cruzam, com conforto e elegância. O pessoal da pousada, na manhã seguinte, depois do café, nos reuniu para fazer pão alentejano, algo muito bom e interessante.
Portugal 10 – Herdade Grande, sopa de cação, lombo de porco preto e muito vinho

As oliveiras estavam carregadas de frutos

Mariana Lança, jovem enóloga, aceitou o desafio de buscar vinhos novos

António Lança é herdeiro de uma tradição vitivinicola alentejana
Fotos DU/JN
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Depois de fazer pão com as moças alentejanas da Malhadinha Nova, rumamos para Herdade Grande, a 5km de Vidigueira, Alentejo, onde fomos recebidos com muita simpatia pelo proprietário, Antonio Lança, e sua filha Mariana, jovem enóloga. A propriedade de 350 hectares – 70ha com vinhas, 40ha com oliveiras, 80ha com cereais e o restante com ovelhas e reserva de caça turística.- está há mais de 100 anos com a família Lança, que hoje planta videiras de aragonez, trincadeira, alicante bouschet, touriga nacional, cabernet sauvigon e syrah, entre as tintas, e Antão Vaz, arinto, roupeiro e outras, entre as brancas. O projeto é chegar às 500 mil garrafas, sendo 70% de tinto e 30% de branco, embora seu Antonio reconhece que “está aumentando o consumo do vinho branco”.
Visitamos a cantina e degustamos alguns vinhos tirados diretamente dos tanques de aço inoxidável e das pipas de carvalho. O primeiro foi da casta Raínha do Alentejo, um Antão Vaz 100%, ainda no aço, mas cujos antecedentes garantiram por três anos o prêmio maior da Confraria dos Enófilos ao seu António, a Talha D´Ouro do Alentejo. Em outro tanque, provamos o que Mariana garantiu que será o grande vinho do próximo ano, uma união de Antão Vaz e roupeiro; e, em outro, um 100% verdelho, branco que ela considera um desafio à sua capacidade de jovem enóloga. Está pagando para ver... Também provamos na barrica um alicante bouschet, syrah, tinta grossa, tinta caiada, um tinto ainda em fermentação malolática, e um trouriga nacional mais touriga franca, que está 6 meses em barrica e vai ficar, no mínimo, 12, para ser um reserva.
Depois, fomos almoçar e degustar com mais calma os vinhos da Herdade Grande, harmonizados com alguns pratos típicos portugueses. Entre os petiscos iniciais, fígado de borrego frito e coelho selvagem frio, em salada, harmonizado com Audaz, elaborado com aragonez, trincadeira e alfrocheiro. É um tinto macio, que deixa o gosto de fruta nos lábios, jovem, agradável de beber, saboroso e aromático.
A refeição propriamente dita começou com sopa de cação, com a posta de peixe no caldo, ao lado de um ovo frito, pão e batata. O vinho foi Herdade Grande 2010, com arinto, roupeiro e Antão Vaz, com notas de frutos tropicais e boa acidez.
Para acompanhar o lombo de porco preto alentejano, assado no forno, com batatas também assadas no forno e lentilhas, bebemos um Condado das Vinhas 2010, elaborado com aragonez, trincadeira e alicante bouschet, passado por madeira, e considerado por Antonio Lança “um vinho do mundo moderno”, mais econômico, porque chega ao mercado a E 4 (R$ 9,56). O produtor tira destas vinhas apenas 7 t/há. Seguiu-se um Herdade Grande 2009, mais suave, elaborado com aragonez, alicante bouschet e touriga nacional, um tinto com bons aromas de frutos maduros, ameixa preta, compota, alguma especiaria, harmônico. E, finalmente, um Herdade Grande Reserva 2008, de aragonez e cabernet sauvignon, o melhor da série.
António Lança produz cerca de 350 mil garrafas/ano e pretende chegar às 500 mil garrafas/ano. Cerca de 30% de sua produção é exportada, principalmente para o Brasil, Estados Unidos, Angola, Suiça, Alemanha e Bélgica. Ele e Mariana pretendem aumentar as exportações, principalmente para o Brasil, que consideram um mercado em crescimento.
Portugal 11 – Quetzal, a Antão Vaz veio da Siria, é uma uva moura

Reto Frank Gorg, holandês, administra a vinícola Quetzal

Rui Reguinga, enólogo conultor da Quinta do Quetzal
No topo, a capela da vila com a adega romana circular; à direita, a cantina circular moderna
Fotos DU/JN
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Ainda na Vidigueira, visitamos a Quinta do Quetzal, um nome estranho para Portugal, pois é o de um deus asteca, mas acontece que o dono, um holandês, é apaixonado pelo Império Asteca e quando comprou a área de 40 hectares, em 2001, deu-lhe este nome. O projeto é inspirado na história da vizinha vila romana de S. Cucufate, datada do século 1 DC, e na qual foi encontrada uma adega redonda em que todo o processo de vinificação ocorria por gravidade, como é a melhor técnica de hoje. Os romanos, pelo jeito, já sabiam das coisas e esta sua adega é considerada a mais antiga da península Ibérica. A adega nova, também redonda, tem linhas modernas, puras, e materiais contemporâneos.
Fomos recebidos pelo administrador, o holandês Reto Frank Jorg, e pelo enólogo consultor Rui Reguinga, que explicaram o nome e a história da vinícola, destacando que no alto do morro em cujas encostas estão os prédios existe a centenária Capela de Nossa Senhora de Guadalupe, cujo nome serviu para designar os principais vinhos. Vinhedos antigos foram reconvertidos, em 2003, e, em 2004, foi apresentado o primeiro vinho. Entre as castas cultivadas, estão Antão Vaz, tinta grossa, arinto, verdelho, roupeiro, syrah, alicante bouschet e trincadeira. As encostas, sobranceiras à freguesia de Vila de Frades, garantem muita mineralidade aos vinhos, segundo Jorg.
A principal linha da Quinta do Quetzal é a Guadalupe Colection, sendo que o Guadalupe Selection, branco, é considerado um dos melhores. Há seis castas de vinhos tintos e um Alicante Bouschet licoroso que fica 16 meses em barrica, o Rich Red 2010, que parece um vinho do Porto. A degustação foi coordenada pelo Jorg, com apoio do Rui Reguinga.. Começamos com um Guadalupe Selection 2010, branco, 100% Antão Vaz, que uma parte passa por barrica de carvalho francês e outra fica no inox, um vinho de E 7,50 (R$ 17,92). Seguiu-se um Guadalupe Selection 2009, tinto, elaborado com aragonez (60%) e trincadeira (40%), que não passou em carvalho, um vinho mais frutado e mais macio. Já o Guadalupe Selection 2008, também tinto, com aragonez, trincadeira, syrah, alicante bouschet e cabernet sauvignon passou 14 meses em madeira de 2ª e de 3ª, ganhando complexidade, mas sem perder a frescura, como dizem os portugueses. O Quinta do Quetzal reserva 2008, com syrah, alicante e trincadeira, já é de outro nível, tem 14º de álcool, é muito complexo e com final de boca instigante. O preço é de E 15 (R$ 35,85).
Finalmente, a “chupeta do nenê”, apelido carinhoso do Alicante Bouschet Rich Red 2010, quase um porto, embora Jorg diga que “é melhor”. Ainda está em barrica, tem 18º de álcool, muito chocolate, 160g de açúcar, é doce, mas tem muita fruta e, por isso, é chamado de “chupeta do nenê”. É um vinho de sobremesa, sem dúvida, ideal para acompanhar chocolate suíço amargo. A garrafa, de apenas 375 ml, custa E 12 (R$ 28,68).
Portugal 12 – Casa de Arrochella, entrou de carona na nossa caravana pelo Alentejo

O Conde Arrochellas mostrando um dos seus vinhos
Casa de Arrochela fica no Douro
Bernardo de Arrochella Alegria, Conde de Arrochela
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Organizada pela Sónia Fernandes, da VinePortugal, nossa caravana deveria ater-se aos vinhos do Alentejo, mas, na Quinta do Quetzal, encontramos o conde Bernardo de Arrochella Alegria, dono da Casa de Arrochella, que produz vinhos e azeites no Douro, outra famosa região vinífera portuguesa, e ele solicitou para apresentar seus vinhos. Não poderíamos recusar esta possibilidade a Bernardo, descendente e sucessor de Nicolau de Arrochella Moraes e Castro Pimentel, 1º Conde de Arrochella, que, hoje, administra 600 hectares no Douro Superior, sendo 115 de vinhas e o restante de oliveiras. Entre Vila Nova de Foz Côa, Torre de Moncorvo e Vila Flor, nas margens dos rios Douro e Tua, o novo conde produz seus vinhos e azeites.
Começamos a degustação com um Vila Flor 2009, do Vale da Vilariça, vinho extremante aliciante, elaborado com touriga nacional e touriga franca, possui fruta muito expressiva e uma excelente frescura, saboroso e gastronómico.Ainda não chegou ao Brasil, mas Alegria garantiu que em breve estará aqui. Seguiu-se um Grandes Quintas Colheita 2008, tinto elaborado com alicante bouschet, touriga nacional, touriga franca, tinta roriz, souzão e tinta amarela, com seis meses em barricas francesas, tem cor vermelho rubi, aroma fresco, com notas de frutas vermelhas e baunilha, taninos elegantes.
Já o Grandes Quintas Reserva 2008, com 14,5º de álcool, é oriundo de vinhas velhas touriga nacional, touriga franca e tinta amarela. Denso e profundo, tem uma frescura mentolada, frutos silvestres, notas florais de violeta e especiarias, como baunilha e café. É um vinho elegante..
A degustação na Quinta do Quetzal, com a participação do Conde de Arrochella, não poderia terminar de maneira melhor. Estávamos às vésperas do Dia de São Martinho (11/11) e Reto Jorg e Rui Reguinga ofereceram um Quetzal Colheita S. Martinho Colheita Tardia 2009 D.O.C, branco, elaborado com uvas Antão Vaz, colhidas em novembro, no Dia de São Martinho, sem botrytis cinérea, apenas com o açúcar da uva,15º de álcool, notas intensas de frutos secos e mel, um vinho que vai muito bem com castanhas assadas (o que mais se come no Dia de São Martinho, nas casas portuguesas e nas ruas de Lisboa), ou, então, com fois gras.
Portugal 13 – Herdade do Esporão, enfim um bacalhau, com grandes vinhos

Luis Patrão, um dos enólogos da Herdade do Esporão

O vinho do “Bin Laden” teve que trocar de rótulo

Uma oliveira com mais de dois mil anos e produzindo azeitonas

A torre símbolo do Esporão
Fotos DU/JN
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De 9 para 10 de novembro, dormimos em Évora, na bela Pousada dos Lóios, ao pé do Templo de Diana, que os romanos construiram há 2 mil anos, e jantamos no famoso Fialho (mais adiante vou escrever sobre isso). Na manhã de 10, visitamos a cidade e comi minhas primeiras castanhas assadas do Dia de São Valentim. Depois, seguimos para a Herdade do Esporão, uma área vitivinicola com mais de 300 anos de história moderna, porque há registros de produção de uvas e vinhos na Idade do Bronze. Durante o Império Romanos, seus vinhos eram exportados para todo o mundo de então. Os limites atuais da herdade, com 1800 hectares, foram estabelecidos em 1267!. Hoje, é propriedade de José Rocchette, que planta 420 hectares com viníferas, sendo 85 tintas.
Não sei se vocês lembram, mas, em 1999, um vinho da Herdade do Esporão andou nas manchetes. A empresa costuma convidar artistas para pintar o rótulo de seu Esporão Reserva. O daquele ano foi pintado por Pedro Proença que fez uma homenagem aos mouros que ocuparam a região. Ele colocou no rótulo a figura de um árabe de barbicha muito parecido com o então desconhecido líder terrorista Bin Laden. Só que, em setembro daquele ano, os árabes explodiram as famosas Torres Gêmeas, em Nova Iorque, sob orientação de Bin Laden e ele se tornou o homem mais odiado nos Estados Unidos. Naquele exato momento, o Espigão Reserva 1999 estava chegando em Nova Iorque. A empresa teve que recolher o vinho e trocar o rótulo. Na loja da vinícola, em Reguengos de Monsaraz, há uma garrafa com o rótulo “Bin Laden” e eu a fotografei, como vocês podem ver na ilustração deste texto.
Fomos muito bem recebidos pela Maria João e pelo enólogo Luis Patrão. A Esporão, que também possui uma área no Douro, produz 8 milhõesde quilos de uvas, que acabam gerando 9 milhões de garrafas, ali em Monsaraz, e mais 6 milhões de garrafas no Douro, onde existe a Quinta das Murças.
As boas vindas foram com espumante Herdade do Esporão Brut 2009, elaborado com verdelho e Antão Vaz, muito fresco, na Torre do Esporão, uma construção mandada erguer entre 1457 e 1490, um símbolo emblemático da arquitetura militar alentejana nos últimos anos do gótico. A empresa também produz azeites e, naquele momento, estava começando a safra da azeitona. Diante da torre, há uma oliveira, que segundo Bruno Coelho, do Marketing, tem mais de dois mil anos! Maria João informou que a Esporão também recebe visitantes – cerca de 20 mil pessoas/ano -, sendo a 1ª a apostar no enoturismo em Portugal. O Brasil é o segundo importador de seus vinhos, competindo com Angola, que está em primeiro.
O almoço começou às 13h30min, no Restaurante Esporão, atualmente improvisado, porque o tradicional está em reforma dentro de um projeto de ampliação das atividades de enoturismo. Além das atuais instalações, ampliadas, 5 campos de golfe e 3 hotéis surgirão a 5 km dali. Tivemos amuse bouche, quatro tipos de azeite – galega, cobransosas, cordovil e verdeal - com pães do Alentejo, cogumelos recheados com queijo de ovelha, bacalhau á Esporão, assado à Esporão e sericaia. O primeiro vinho foi um Defesa Rosé 2010, com aragonez e syrah, com boa frescura para acompanhar as entradas.
Um dos grandes vinhos da casa é o Torre do Esporão, que, em Portugal, custa E 90 (R$ 215,00) e chega ao Brasil em torno de R$ 1 mil. Um D.O.C. Alentejo, é elaborado com as castas touriga nacional, syrah e alicante bouschet, com 13,5º de álcool. É um vinho aveludado, com madeira muito equilibrada.
Depois, bebemos um Esporão Reserva 2010, branco, feito com Antão Vaz (40%), arinto (30%) e roupeiro (30%), que passou por inox e carvalho americano e ganhou complexidade, frescura e fruta. O arinto e o roupeiro passaram pela barrica. Luis Patrão chamou-o “branco de inverno”, ideal para acompanhar cogumelos, queijos e bacalhau. O pessoal gostou tanto dele que até brindamos à sua qualidade, enquanto comiamos cogumelos e tomates assados no forno. Enquanto isso, Patrão informou que a empresa tem um faturamento de E 35 milhões/ano (R$ 83,6 milhões) e está em processo de crescimento, com novos investimentos em vinhedos e equipamentos, embora o mercado português de vinhos esteja contraído há dois anos. Era de 65% e caiu para 50%. “Brasil e Angola, com suas compras, cobriram a quota do mercado nacional que diminuiu”, afirmou.
O terceiro vinho foi totalmente diferente dos anteriores, um branco mais sério, fermentado em barrica de carvalho francês, um Seléction Private 2010, elaborado com semillon (90%), marsanne e roussane, criado pelos enólogos David Baverstock e Sandra Alves. Aqui no Brasil, em 2007, foi considerado o melhor vinho branco do ano pela revista Gula, em cujo júri estava o especialista José Maria Santana, que também estava à mesa, conosco, no Esporão. Seguiu-se o Private Selection 2008, Tinto, elaborado com alicante bouschet, aragonez e syrah, um vinho que se pode guardar, tranquilamente, 10 ou 15 anos. Passou 24 meses nas barricas de carvalho francês, novas, e 12 meses em garrafa. 14º de álcool. Já foi chamado “uma pequena maravilha da natureza”. É ideal para acompanhar uma paletinha de cordeiro assada.
Enquanto comíamos o assado de buchecha de vitela com risoto de cogumelos, bebemos uma primícia, o ícone Torre do Esporão 2007, elaborado com touriga nacional, alicante bouschet, que só chegará ao mercado no final de 2012. É vinho único, ícone de Portugal, que passa 2 anos em garrafa, tem complexidade no nariz, está pronto, mas Patrão informa que não é lançado “porque ficará melhor”. É um vinho de guarda para, no mínimo,15 anos.
O final do almoço foi tão glorioso quanto o início, embora tenhamos pulado do Alentejo para o Douro. Luis Patrão abriu um Esporão Quinta dos Murças Porto Old Tawny 2008 10 anos, da região do Douro e Porto, elaborado com uvas aragonez, tinta barroca e tinto cão, com 20º de álcool, denso e de acidez equilibrada, excepcional, e, também, um “conhaque” Magistra, um aguardente vínico, elaborado com tália (ugni blanc), malvasia reis, alicante branco e boal, que passou 15 anos em madeira nova e usada e é um D.O.C Lourinhã, região que, ao lado de Cognac e Armagnac, na França, são as três únicas, no mundo, com denominações próprias para a produção deste tipo de bebida, um destilado sofisticado de elevada qualidade e cuja garrafa já é uma atração. No mercado português, custa E 130 (R$ 310,00).
Portugal 14 – Monte dos Cabaços e São Rosas, uma lenda bonita e interessantes vinhos

O restaurante São Rosa, em Estremoz

Rainha Santa Isabel

Tiago Cabaço seguiu os passos da mãe do pai

Margarida Cabaço produz vinhos e comando um restaurante
Fotos DU/JN
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Seguimos para Estremoz, onde nos hospedamos na Pousada Santa Isabel e, antes de dormir, fomos jantar no restaurante São Rosas e conhecer os vinhos de Joaquim e Margarida Cabaço e Tiago Cabaço. O pequeno e aconchegante restaurante, numa casa antiga, na parte velha de Estremoz, dentro das muralhas, tem este nome em função da lenda do milagre das rosas e da Rainha Santa Isabel. Segundo a lenda portuguesa, a rainha saiu do Castelo do Sabugal numa manhã de Inverno para distribuir pães aos mais desfavorecidos. Surpreendida pelo soberano, que lhe inquiriu onde ia e o que levava no regaço, a rainha teria exclamado: São rosas, Senhor!. Desconfiado, D. Dinis inquiriu: Rosas, no Inverno?. D. Isabel expôs então o conteúdo do regaço do seu vestido e nele havia rosas, ao invés dos pães que ocultara.
Margarida Cabaço, a proprietária, gere o restaurante desde 1990, e conquistou fama na gastronomia portuguesa. O ambiente é de grande conforto e sobriedade, destacando-se ainda um terraço com vista sobre a muralha. A Adega do Monte dos Cabaços começou em 2001, com 120 hectares. Nosso jantar começou com um Monte dos Cabaços Branco 2010 Colheita Selecionada, com roupeiro, arinto e Antão Vaz, bastante fresco e com acidez equilibrada. Depois, fomos para um Margarida 2009, branco, elaborado com encruzado, verdelho, alvarinho e viognier, com as uvas misturadas na cuba, um branco de inverno, gastronômico, com final de boca alongado.. Os tintos começaram com Monte dos Cabaços Colheita Selecionada 2006, com touriga nacional, syrah, cabernet sauvignon e alicante bouschet, sem madeira, de taninos suaves, notas de tabaco e de chocolate preto; e continuaram com o Monte dos Cabaços Reserva 2005, com touriga nacional, syrah, cabernet sauvignon e alicante bouschet, no qual a fruta está bem presente, em harmonia perfeita com a madeira, e o Margarida Tinto 2008, elaborado com syrah (96%) e a branca viognier (4%), ambas pisadas, do qual ela produziu apenas 4.200 garrafas. Criado pela enóloga Susana Esteban, tem 14,5º de álcool, cor rubi carregado, aroma floral intenso, complexo no nariz e na boca, bem estruturado, ficou um ano em barrica de carvalho francês usadas. Como falei na Margarida e na Susana, devo dizer que esta é uma adega comandada por mulheres, porque a elas se une a também enóloga Marta Matos. Margarida acha isso muito bom “porque as mulheres são mais atentas aos detalhes”.
Depois, chegou a vez de provarmos os vinhos do Tiago Cabaço, filho de Margarida, que faz parte da nova geração dos produtores alentejanos. Por influencia do pai e da mãe, resolveu investir em uva e vinho e criou seu projeto em 2004. Apresenta-se como um dos mais jovens na idade e número de colheitas no mercado. Jovem e irreverente, deu a seus vinhos nomes relacionados com a modernidade do mundo cibernético e internético - .com, .beb e blog. Recém fez cinco colheitas, mas já produz 300 mil garrafas/ano. Sua enóloga é a mesma dos pais: Susana Esteban.
Começamos a degustar pelo blog 2009, com 90% de touriga nacional, alicante bouschet e syrah, apontado pelos críticos da região com o melhor vinho tinto de 2009 no Alentejo. O especialista Rui Falcão colocou-o entre os 10 melhores vinhos nacionais. Passou 100% em barrica, novas e usadas, é muito equilibrado e tem longevidade na boca. Seguiu-se o blog bi-varietal, com alicante bouschet (60%) e syrah (40%), com características especiais dadas pelas barricas novas de carvalho francês, 15,3º de álcool, uma frescura enorme, boa acidez, boa estrutura, jovem. Maria, a jovem esposa de Tiago, informou que Rui Falcão considerou-o “um vinho impróprio para cardíacos”.
Depois, fomos para o .com 2010, um branco com roupeiro, arinto, Antão Vaz, verdelho e viognier, mineral, estruturado na boca, selecionado pela crítica inglesa Jancis Robinson para um de seus “vinhos da semana”. A seguir, o .beb 2010, com arinto, roupeiro, verdelho e viognier, que passou 100% em barrica, complexo, untuoso e estruturado.
Os tintos começaram com .com 2010, elaborado com touriga nacional, aragonez, vinhas velhas, cabernet sauvignon, sem madeira, muito jovem, mas com potencial de guarda. Depois, o .com 2010, com syrah e touriga nacional de vinhas de 22 anos, a idade de Tiago, também não passou por madeira, e mostra bem a tipicidade das duas castas, aromático, vermelho, frutado com elegância, jovem, ideal para guardar. E, finalmente, o .beb Premium 2010, com syrah, alicante bouschet, cabernet sauvignon e touriga nacional, passado 100% em barrica, está no ponto ideal para beber.
A comida, preparada especialmente pela Margarida Cabaço, que faz questão de ir à cozinha, estava à altura dos vinhos. Comemos mariscos, pezinhos de porco preto, queijo curado de ovelha amanteigado, sopa de tomate com crocante de porco preto e ovos. Ao final, um Vintage Fonseca 1997, a melhor safra da Fonseca e Guimarães.
Portugal 15 – Quinta Dona Maria, uvas pisadas só por moças de 22 anos

Julio Bastos quer produzir 500 mil garrafas/ano

Quinta Dona Maria, em Estremoz, vem do século XVIII
Fotos DU/JN
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O Dia de São Martinho, 11 de novembro, nos pegou na Quinta Dona Maria, em Estremoz, recebidos por Julio Bastos, hoje dono daquelas instalações do século XVIII, criadas pelo rei D. João V. Já se chamou Quinta do Carmo. Possui um enorme jardim, grandes alas de edifícios e uma bela capelinha dedicada à Nossa Senhora do Carmo. Nas instalações vinícolas, tanques de concreto e de inox, barris de carvalho e lagares de mármore onde as uvas são pisadas só por moças com a idade de 22 anos, que trabalham ao som de música. O novo esquema de produção começou em 2003, a produção é de 350 mil garrafas/ano e a meta é de chegar às 500 mil garrafas/ano. Como nas melhores vinícolas que buscam qualidade aos seus vinhos, a produção é de 5 toneladas de uvas por hectare.
A degustação, coordenada pelo próprio Julio Bastos, começou com o Dona Maria Rosé 2010, com 60% de aragonez e 40% de touriga nacional, cor salmão, seco, mas com leve doçura no final, é bom aperitivo. Depois, um Dona Maria Branco 2010, com arinto (30%), Antão Vaz (30%) e viosinho (30%), com 13º de álcool, e um Dona Maria Viognier 2010, 100% viognier, com notas florais de jasmim, pêra e damasco, acidez equilibrada, longo e persistente na boca, sem madeira. O Dona Maria Amantis 2009, também com viognier, já passou seis meses em barris de carvalho francês, seguido de battonage (descansando sobre as borras finas), e mostra mais estrutura em sua bonita cor dourada.
O Dona Maria Tinto 2008 foi elaborado com 50% de aragonez, 20% de cabernet sauvignon, 15% de alicante bouschet e 15% de syrah, passou 6 meses em barrica de carvalho (60%) e carvalho americano (40%). É um vinho que, para ser melhor apreciado, precisa ser aberto uma hora antes e ser colocado no decanter, sedoso, seco e austero. Já o Dona Maria Amantis 2007, levou 35% de syrah, 30% de petit verdot, 25% de cabernet sauvignon e 10% de touriga nacional, resultando um vinho rubi escuro, que passou 1 ano em barrica de carvalho francês (70%) e carvalho americana (30%). Um vinho excelente.
Outro vinho do Julio Bastos que deve ser aberto, pelo menos, duas horas antes de beber é o Dona Maria Tinto Reserva 2006, elaborado com alicante bouschet (50%), petit verdot e syrah,proporcionalmente, pisadas nos lagares de mármore e, depois, 1 ano em carvalho novo francês. Resultado, um vinho de 14,5º de álcool, cor rubi retinta, um vinho que não morre com a comida, mineral. Seguiu-se o Alicante Bouschet Julio B. Bastos 2007, homenagem ao pai de Julio Bastos, outro vinho que deve ser aberto duas horas antes de ser bebido, estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês novo, 100%, e que tem potencial para ficar muitos anos em sua adega, ganhando cada vez mais o aroma de especiarias. É um vinho de E 75 (R$ 147,00), em Portugal, mas que aqui no Brasil custará em torno de R$ 500,00.
A seguir, degustamos os Dona Maria Touriga Nacional 2009 e Dona Maria Petit Verdot 2009, ambos 100%, ambos de aromas intensos a flores, combinados com frutos silvestres. São vinhos que chegarão ao Brasil a R$ 160,00.
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